Enes Candido promove audiência para discutir violência contra profissionais da saúde na ALMG

A violência ocupacional sofrida por profissionais da saúde, especialmente pela categoria da enfermagem, será tema de audiência pública da Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). O debate acontece nesta quarta-feira (17), às 9h, no Auditório José Alencar, a pedido do deputado Enes Candido (Republicanos).
Segundo justificativa do requerimento, a enfermagem está entre as categorias mais atingidas por agressões físicas, verbais e psicológicas no exercício da profissão. Um estudo publicado em 2023 pelo Brazilian Journal of Development mostrou que a violência contra trabalhadores da saúde é frequente no Brasil, afetando diretamente a capacidade laboral e a saúde mental desses profissionais.
Na linha de frente do atendimento, enfermeiros, técnicos e auxiliares são as principais vítimas de agressões, muitas vezes praticadas por pacientes, acompanhantes e até mesmo por colegas de trabalho. Pesquisa realizada em um hospital público e divulgada pela Revista Brasileira de Medicina do Trabalho revelou que 88,9% desses profissionais já sofreram algum tipo de violência. Entre os casos, destacam-se abuso verbal (38%), assédio moral (25,4%) e violência física (11%).
Grande parte dos entrevistados afirmou que os episódios poderiam ter sido evitados, apontando falhas institucionais na prevenção e na resposta às ocorrências. Essas constatações são reconhecidas pelo Conselho Federal de Enfermagem (Cofen), que vem articulando, em parceria com o Ministério da Saúde, medidas de enfrentamento à violência em serviços de urgência e emergência. Entre as propostas defendidas pelo Cofen estão a criação de protocolos de segurança, campanhas educativas, um Observatório Nacional de Violência e maior integração com órgãos de segurança pública.
Além dos impactos diretos no trabalho, estudos apontam que a violência ocupacional tem forte relação com o adoecimento psíquico dos profissionais. Revisão sistemática publicada em 2024 pela Revista Brasileira de Medicina de Família e Comunidade identificou aumento de afastamentos, sofrimento emocional, ansiedade, depressão e esgotamento entre trabalhadores que sofreram agressões.
Para o deputado Candido, a audiência será uma oportunidade de ampliar a escuta e buscar soluções coletivas. “As respostas institucionais ainda são insuficientes, o que evidencia a urgência de articulação entre o Legislativo, os serviços de saúde e os órgãos de controle para o enfrentamento dessa grave mazela social. Valorizar e proteger aqueles que cuidam da vida é dever ético e político do meu mandato”, afirmou.
Foram convidados para a reunião representantes dos Conselhos Regional e Federal de Enfermagem, da Secretaria de Estado de Saúde, da Fhemig, da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego, além de entidades representativas de médicos, enfermeiros e demais profissionais de saúde.

